A Verdade por Trás do Primeiro Projeto Antirracista Multirracial do Brasil

Parditude, assim como Negritude, Branquitude, Mestitude ou Indigenitude, é mais que uma palavra com terminação elegante. É um conceito, uma identidade, uma denúncia e uma forma de existir no Brasil racialmente fraturado. Todos esses termos têm raiz no mesmo propósito: nomear a experiência racial de um grupo social historicamente apagado ou estereotipado. Mas quando uma dessas palavras ganha visibilidade, sem citar quem a construiu primeiro — é preciso parar e perguntar: a quem pertence essa autoria?

Projeto Etnia Brasileira: muito antes do hype

Muito antes de TikToks sobre “pardo não é papel” viralizarem ou da geração Z descobrir o IBGE, Lívia Zaruty já havia lançado o Projeto Etnia Brasileira, com domínio próprio, blog premiado (inclusive no iBest), vídeos no YouTube e um discurso incisivo que denunciava a invisibilidade social dos pardos no Brasil.Em 2010, Zaruty propôs o termo Parditude como um braço da Negritude, não como ruptura, mas como nomeação necessária. Seu objetivo sempre foi impedir que a categoria “pardo” se tornasse um vácuo racial onde pessoas brancas mestiçadas se escondessem para fraudar políticas públicas ou se desvincular da negritude real.

A confusão racial institucionalizada

Etnia Brasileira é o berço da Parditude.

Fui pioneira no Brasil ao levantar a pauta dos pardos como identidade política, estética e fenotípica.
Fui a primeira mulher preta retinta a denunciar as contradições da categoria “pardo” na prática da militância.
Fui quem disse, ainda em 2010, que o pardo não era papel — antes do TikTok saber o que era IBGE.
Fui quem alertou que o apagamento do pardo abriria espaço para fraudes, embranquecimento e distorção do movimento negro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *